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Mercado financeiro ama demais o Brasil, diz Krugman

SÃO PAULO - O prêmio Nobel de Economia Paul Krugman afirmou que o mercado financeiro "ama demais" o Brasil, fato que ocorreu com a Europa anos atrás. Ele destacou que na zona do euro as famílias estavam altamente endividadas, mas não fez nenhum comentário se o passivo dos consumidores no País está em níveis altos ou baixos.

Krugman destacou que os países emergentes estão em situação resiliente, inclusive o Brasil. "O País tem uma história recente boa, com taxas de crescimento razoáveis", destacou.

O economista afirmou que o real ante o dólar está muito valorizado e que, provavelmente, esse processo de apreciação deve ser interrompido no curto prazo. "A desvalorização do câmbio seria bem-vinda para muitas pessoas aqui", comentou, sem se referir se fazia menção a autoridades do governo.

"Se o câmbio se desvalorizasse nos próximos meses isso não traria rupturas à economia", disse. "O Brasil não tem mais grandes déficits de conta corrente", disse.

Paul Krugman disse ainda que "cortar os juros agora no Brasil é apropriado", em função do atual estado da economia mundial, marcado por um amplo movimento de distensão monetária. "Na atual conjuntura, é correto o País desencorajar o ingresso de capitais. Eu faria o mesmo", afirmou, ressaltando que o fluxo de recursos estrangeiros está colaborando para que o câmbio continue sobrevalorizado.

Segundo ele, a situação do nível de atividade no Brasil está bem melhor do que a dos Estados Unidos. "O Brasil não está em crise, mas o meu país (EUA) está, embora sua situação seja melhor do que a da Europa", disse.

Krugman destacou que a economia mundial não está "no momento de pânico" que foi registrado na primavera de 2008, quando o banco Lehman Brothers quebrou. "Porém, as economias avançadas ainda não se recuperaram da crise registrada naquele ano", destacou. Krugman fez os comentários num seminário promovido pelo Sebrae em São Paulo.

Na avaliação do economista, a crise na Europa é um fenômeno muito semelhante ao ocorrido nos EUA, marcado por alto endividamento das famílias, elevada alavancagem de investidores e complacência de autoridades reguladoras. "Mas eles tem um problema a mais: uma moeda única sem um Estado único", destacou.

De acordo com Krugman, se a Espanha ainda tivesse a peseta de 1988, o país poderia desvalorizar sua moeda. Contudo, isso não pode ocorrer agora, dado que faz parte de uma região que adotou como padrão monetário o euro. "A situação da Europa é muito complicada. E a Espanha teve um problema semelhante ao dos EUA, que foi a bolha do setor imobiliário", comentou.

Em relação a Europa, o economista afirmou que uma saída para o continente sair da crise nos próximos anos seria o Banco Central Europeu expandir a política monetária a ponto de estimular o nível de atividade, mesmo que isso provoque alta dos índices de preços ao consumidor. "A inflação poderia ir para 3% a 4% e isso poderia funcionar", comentou.

Krugman disse ainda que, apesar da crise internacional, os países da América Latina ficarão mais fortes. "Há uma melhora da distribuição de renda, embora não seja a ideal. As nações da região têm um mercado interno em expansão. O mais importante é a expansão da classe média, o que ajuda no avanço da economia doméstica e na sua relação inter regional", disse.

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